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Considerações do autor, Dr. Genésio Deschamps.

 

Em setembro de 1976 fui surpreendido com um pedido inusitado de minha avó Verena Deschamps (nata Zimmermann), já então com 91 anos de idade, solicitando meus préstimos, para que lhe conseguisse uma certidão de óbito de seu esposo Carlos Antônio Deschamps (meu avô), para fins de prova em requerimento de pedido de aposentadoria que pleiteara junto ao Instituto Nacional de Previdência Social (INPS).

A tarefa me dada seria simples, não fosse o fato de o Cartório de Registro Civil de Gaspar alegar não poder fornecer a referida certidão em razão de ter sido extraviado o Livro no 3, de Registro de Óbitos. Assim, tive que pleitear, como advogado, através de ação própria (Justificação Judicial), novo assentamento de óbito do meu avô, a qual elaborei em 22.10.1976 e protocolei em 25.10.1976 no Juízo de Direito da Comarca de Gaspar. Processada a ação, determinou o MM. Juiz Eleazar M. Nascimento que o Senhor Oficial do Registro Civil da Comarca de Gaspar promovesse o assentamento requerido. Feito o assentamento foi, então, obtida a Certidão de Óbito que interessava a minha avó.

Esse fato aparentemente não teria maiores conseqüências, já  que o objetivo pretendido tinha sido alcançado. Mas, na realidade ele serviu como ponto deflagrador do meu interesse em conhecer a genealogia de minha família e, num campo mais amplo, de toda a família Deschamps, desde a sua chegada da Europa para o Brasil. Contudo, embora esse interesse houvesse sido despertado, de pronto não tomei qualquer iniciativa para desenvolvê-lo.

Posteriormente, no final do ano de 1977 chegaram as minhas mãos exemplares da revista Blumenau em Cadernos, editada mensalmente pela Fundação Casa Dr. Blumenau, mantida pela Prefeitura Municipal de Blumenau, nos quais, nos meses de setembro a dezembro de 1977 (nos. 9 a 11), se encontravam artigos publicados sob o título “Genealogia – Colonizadores do Vale do Itajaí – Família Deschamps”, de autoria do Senhor Jean R. Rul.

Ao mesmo tempo em que os artigos me despertavam novo e especial interesse, em face da vinculação de meu sobrenome, fiquei assaz surpreso por ver alguém, totalmente estranho à família Deschamps, dedicar-se a uma pesquisa de tal monta e sem nenhuma razão aparente, a não ser a de estudioso do assunto abordado.

De qualquer maneira, esperei com ansiedade as publicações do Blumenau em Cadernos, do  início do ano seguinte para acompanhar a conclusão do trabalho do autor. Essa ansiedade e esse interesse decorriam especialmente do fato de que aquilo que, até então, tinha sido publicado tinha exatamente terminado na genealogia do então presumido 6º (sexto) filho do Patriarca da Família Nicolas (Nikolaus) Deschamps, sendo que por ordem de seqüência deveria ter continuidade com o seu 7º (sétimo) filho, Antônio Deschamps, que para mim tinha particular interesse, já  que se tratava de meu bisavô.

Aguardei em vão. Lamentavelmente em 04 de dezembro de 1977, o autor, Senhor Jean R. Rul,  faleceu,  em plena flor da idade, após enfermidade insidiosa. Senti muito por esse fato: pela morte prematura do autor e de ser privado pela não conclusão de seu belo trabalho que tanto me interessava. Por isso, quero aqui deixar registrada as minhas homenagens e gratidão, ainda que póstumas, ao mesmo.

Assim, a partir do trabalho já  realizado pelo Senhor Jean R. Rul, comecei a esquematizar e a catalogar, de uma maneira sistemática própria, e incipiente, todos os dados até então já  levantados, para no final apresentar uma genealogia que pudesse interessar a qualquer membro da família Deschamps ou a qualquer outro descendente que não mais trouxesse esse nome. Mas não houve uma evolução acentuada e, por questões profissionais, releguei os levantamentos.

O meu interesse pelo assunto voltou em 1989, quando recebi do Senhor Horst Schloesser, Diretor da Cia. Industrial Schloesser, de Brusque, já falecido, com quem tive ligações de amizade e de cunho profissional, um exemplar do “Blumenau em Cadernos” (Tomo XXX, de julho de 1989, no 7), chamando-me atenção para o artigo nele publicado sob o título  “Armadilha Histórica em Gaspar”, de autoria de Frei Elzeário Schmitt, Ofm, que tratava sobre a origem da família Deschamps.

Entretanto, o mesmo interesse somente ficou na intenção e na mente, sem que desse início a qualquer ação, até o mês de maio de 1992, quando voltei a proceder aos levantamentos mais efetivos, procurando a Biblioteca Pública Municipal de Blumenau, mantida pela Fundação Casa Dr. Blumenau, onde fui extraordinariamente bem atendido, valendo destacar a atenção que me distinguiu a Senhora Suely Maria Vanzuita Petry, que não mediu esforços para dar as melhores orientações e informações sobre o trabalho que pretendia desenvolver.

Esclareço que os dados da família Deschamps, foram por mim levantados, inicialmente, a partir dos trabalhos realizados pelo Senhor Jean R. Rul e por Frei Elzeário Schmitt, Ofm, que foram publicados na revista “Blumenau em Cadernos” e aos quais já  me referi acima.

Essas informações e as novas obtidas foram catalogadas e gravadas em arquivo de computador (“microsoft word”) e foram corrigidas as já existentes. Posteriormente, em 1994, contratei empresa especializada que desenvolveu um programa próprio, sob minha orientação, com os modos básicos de estruturação que foram julgados convenientes à época, sob a forma de banco de dados, programa este que é de minha exclusiva propriedade.

Logo após esse fato e quando já tinha uma boa base de dados da família Deschamps, recebi em 1995, com dedicatória, um exemplar do livro “São Pedro de Alcântara – A Primeira Colônia Alemã de Santa Catarina” de autoria de Aderbal João Philippi (Edição do Autor, Florianópolis-SC, 1995). A obra me encantou, por sua extensão em que, além da narração de vários fatos históricos, trouxe, pela primeira vez, à luz a genealogia das primeiras famílias de alemães que se estabelecerem na Colônia de São Pedro de Alcântara, com seus descendentes até o fim do século 19.

Sem dúvida nenhuma esse livro é um marco fundamental para quem procura estudar ou desenvolver a genealogia dessas famílias, que além de São Pedro de Alcântara difundiram-se por todas as regiões do Estado de Santa Catarina, especialmente, no Vale do Itajaí e no Sul do Estado. Dentre essas famílias cita-se a família de Nicolas Deschamps, juntamente com as famílias de João Klocker, Henrique Bornhofen, Mathias Schneider, Valentim Theiss, Jacob Theiss, João Kehrbach, José Vicente Haendchen, Nicolau Deschamps Filho, Pedro Junk e Jorge Wagner, que se estabeleceram no Arraial de Belchior. Este e o Arraial do Pocinho são os núcleos que deram origem e a fundação do município de Gaspar (Notas para a História e Corografia da Parochia de São Pedro Apóstolo de Gaspar).

Outros colonos alemães e seus descendentes, originários da Colônia de São Pedro de Alcântara, posteriormente vieram e se radicaram não somente na região de Gaspar, como também, em Itajaí, Ilhota, Luiz Alves, Brusque, Blumenau e áreas circunvizinhas (famílias Klock, Bornhausen, Zimmermann, Spengler, Werner, Müller e muitas outras). Assim, estas regiões têm uma relação com os colonizadores iniciais de São Pedro de Alcântara e essas famílias, através do casamento, tem uma interligação acentuada.

Assim, a partir dos levantamentos iniciais da Família Deschamps e, especialmente, com os elementos fornecidos pelo livro de Aderbal João Philippi, ficou mais evidenciado o entrelaçamento das famílias, bem como me despertou para o fato de que não era somente essa família que me era cara e com a qual tinha relação. Daí surgiu o interesse em, dentro do possível, promover o levantamento genealógico das famílias com as quais tinha relação de parentesco, próxima e remota e de outras famílias estabelecidas no Vale do Itajaí.

Estendi também minhas pesquisas às famílias Vogel e Zoz, com ligações por parte de minha mãe, e ainda das famílias Westphal e Noriller, por parte de minha esposa, em razão do interesse de meus filhos.

Posteriormente, considerando as interligações familiares, especialmente na região do médio Vale do Itajaí, aprofundei ainda mais a minha pesquisa, integrando também nos meus arquivos de dados algumas famílias flamengas, originárias da Bélgica. Estas famílias se estabeleceram, em meados de 1840, em terras que na atualidade constituem o município de Ilhota, entre Gaspar e Itajaí, tendo aí passado muitas dificuldades para se desenvolverem..

Todos esses aspectos se tornaram, de certa maneira, relativamente simples em função do programa de processamento de dados que havia adotado e da colaboração de meu filho Fernando. Ele, com seus conhecimentos e com muita paciência e desprendimento, introduziu modificações no programa que facilitou, a partir de modificações no sistema de estruturação básico e a partir de um cadastro geral único formatar genealogias de cada uma das famílias cujos primeiros ancestrais tivessem sido cadastrados. Sempre que são visualizadas inovações meu filho tem prestado a sua colaboração.

Muitas dessas famílias já tinham suas árvores genealógicas levantadas. Algumas parciais, outras somente em relação a alguns ramos de descendentes, mas na sua maioria incompletas, ainda que apenas até determinado período de tempo. Todavia, nestes casos tive o trabalho facilitado, para apenas, com seus elementos, sistematizá-los e completá-los com novos dados em programa próprio de computador.

 Por isso, não pretendo me considerar autor integral do trabalho desenvolvido e do resultado alcançado, que se traduz na “Genealogia” de cada uma das famílias, até esse momento. Ele também é devido a outros que me antecederam, quer por obras publicadas ou não, quer por colaboração em pesquisas de informações.

 É bom que se diga que minha preocupação com o trabalho foi voltada essencialmente para formar a genealogia e não as histórias das famílias pesquisadas, a não ser da família Deschamps. Mesmo assim, no decorrer do trabalho foram encontrados documentos que podem auxiliar no histórico das demais famílias.

 Ademais, a obra é incompleta, quer em relação ao período de tempo abrangido, que é inteiramente variável, quer em relação a determinados ramos familiares que dependem de levantamentos próprios em lugares totalmente diferentes daqueles em que as pesquisas foram realizadas. Só para exemplificar, o Brasil é imenso e nos lugares mais distantes são encontrados muitos membros das respectivas famílias.

 Além disso, os levantamentos e dados colhidos se reportam quase que exclusivamente em relação aos ramos familiares que se estabeleceram no Vale do Itajaí, complementados por outros já disponíveis de outras regiões. Excepcionalmente foram feitos levantamentos em outras regiões do Estado de Santa Catarina.

 Alerte-se, contudo, que o trabalho que se está desenvolvendo pode revelar imperfeições em razão dos dados do período mais antigo serem de difícil obtenção. Por isso, quem verificar um erro pode se comunicar para ser feita a correção devida.

 Por outro lado a obra exige uma continuidade e uma atualização  constante, com acréscimo de novos dados de outros membros da família a medida que ela cresce ou haja desaparecimento de um deles, o que o torna extremamente dinâmica. Assim, espero dar seqüência ao mesmo e, se não me for possível, que outros o façam, para manter viva a chama que nos faz dar continuidade, para complementar com futuras gerações, ainda que seja para cada uma dos ramos de cada família, sempre em nome e em respeito aos nossos antepassados.

Quero, finalmente, deixar registrado que entendo que Jean R. Rul e Aderbal João Philippi, se não são os precursores das pesquisas genealógicas da região, são, no mínimo, os criadores das fontes fundamentais para as mesmas, e a quem rendo minhas homenagens.